Foi preso na manhã desta quinta-feira (27), Daniel Peres Alcazar, ex-servidor público acusado de promover ataques sistemáticos nas redes sociais contra autoridades, servidores e moradores da cidade. A decisão foi proferida pela justiça no dia 24 de novembro de 2025, após representação da Polícia Civil e parecer favorável do Ministério Público, que apontaram a existência de ampla série de crimes envolvendo difamação qualificada, injúria racial, importunação sexual e associação criminosa.
Segundo a investigação, Daniel utilizou montagens criadas por inteligência artificial para expor vítimas ao ridículo, além de publicar ataques contra magistrados, servidoras municipais e integrantes da gestão pública. Há ainda registros de envio de material obsceno à vítima principal, que procurou a delegacia após receber um vídeo manipulado envolvendo sua imagem e a do próprio filho menor de idade.
A investigação começou após a vítima receber, via WhatsApp, um vídeo falso envolvendo sua imagem e a de seu filho menor, o que nunca ocorreu. A análise técnica confirmou que o número usado para o envio das mensagens estava em nome do investigado.
Conforme a Polícia Civil, Daniel já era alvo de diversos boletins de ocorrência por ataques semelhantes, sempre envolvendo difamações, montagens e ofensas contra servidores, secretários e até magistrados do município.
O relatório aponta que ele contava com apoio financeiro e operacional de pessoas ligadas à antiga administração municipal, que repassariam informações e incentivariam os ataques.
A juíza determinou a prisão por entender que há risco de reincidência, de fuga, já que Daniel está em local incerto, e pela necessidade de garantir a ordem pública. Também foram autorizados mandados de busca e apreensão na casa do investigado e de supostos colaboradores, com autorização para acessar celulares, computadores e outros dispositivos.
Buscas e apreensões
A Justiça autorizou mandados de busca e apreensão em três endereços:
•residência do investigado Daniel Peres Alcazar;
•residência de Silvana Christina Vieira Cadamuro, ex-secretária de Educação;
•residência de Isabela Marques Saes, ex-secretária de Saúde.
Durante as diligências, foram apreendidos celulares, notebooks e dispositivos eletrônicos que podem conter provas das publicações, montagens, conversas, transferências financeiras e organização dos ataques. A decisão judicial também autorizou o acesso completo ao conteúdo desses aparelhos, desde que respeitadas as regras de cadeia de custódia, garantindo que os dados permaneçam íntegros.
A justificativa das buscas foi evitar destruição de provas digitais, consideradas fáceis de apagar ou manipular. A juíza também advertiu as equipes para que evitassem buscas genéricas, limitando-se aos itens diretamente relacionados à investigação.
Justificativas da prisão
A prisão preventiva foi decretada porque Daniel está em local incerto, representa risco de reincidência, e as medidas alternativas não seriam suficientes para impedir novos ataques ou interferências na investigação.
