domingo , 22 setembro 2019
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Mobilidade social e liberalismo econômico



“[…] antes do advento do capitalismo, o status social de um homem permanecia inalterado do princípio ao fim de sua existência; era herdado dos seus ancestrais e nunca mudava. Se nascesse pobre seria para sempre; se rico – lorde o duque –, manteria seu ducado, e a propriedade que o acompanhava, pelo resto os seus dias.” – Ludwig Von Mises in As Seis Lições. Primeira Lição – Capitalismo, p.3.

O expoente da Escola Austríaca, Ludwig Von Mises (1881-1973) explica de modo prático em seu livro “As seis lições” qual a relação entre capitalismo e mobilidade social. Nesse livro compilado por sua esposa Margit, o economista fornece seis aulas sobre os mal-entendidos do sistema econômico de livre mercado. Em uma das aulas Mises fala sobre como o capitalismo, ao invés de impedir o avanço e a transformação, na verdade foi a base da mobilidade social e do desenvolvimento. Para os menos familiarizados, mobilidade social trata-se de um evento onde um indivíduo pertencente à determinada posição social transita para outra. Aqui estamos a falar de mobilidade social econômica, isto é, quando e como um pobre pode tornar-se rico e bem sucedido.

Na primeira lição intitulada de “Capitalismo”, Mises faz uma crítica analítica aos socialistas. Seu argumento gira em torno da incoerência socialista em desejar o desenvolvimento através do determinismo estatal. Ou seja, se o objetivo dos adeptos do Estado forte (dono dos meios de produção), é fazer com o que pobres deixem de ser pobres e mudem suas péssimas condições, eles não deveriam se opor ao capital individual, ao empresariado, a inciativa privada e a autonomia econômica, e muito menos desejar o aumento da máquina com a centralização do poder dos governantes. Para Mises, isso é totalmente contraproducente.

Na verdade a única forma de transformação de status social de um pobre é ele deter de poder aquisitivo, acúmulo de capital e investimento livre dentro de um país onde o Estado é mínimo. Com uma máquina grande, cheia e com políticas intervencionistas como o controle de lucros e taxação progressiva, os trabalhadores (que também pagam impostos) não terão dinheiro suficiente para guardar ou investir em algum projeto pessoal. Parte de sua renda será consumida pelas taxas para manter o grande Estado. Conforme escreveu Mises, a “tributação progressiva da renda e dos lucros tem como resultado o fato de que precisamente aquelas parcelas da renda que se tenderiam a poupar ou investir são consumidas no pagamento de tributos.” Logo, sem sobras para investimento, ao invés de mobilidade, o pobre sofre estagnação.

Mises era um defensor nato da economia liberal. Ele ensinava que a liberdade não é necessária somente em questões morais em uma sociedade, como poder ser livre para crer no que desejar crer sem ser ameaçado, mas também em questões econômicas, como poder trabalhar, produzir, ter sua propriedade privada assegurada e dinheiro suficiente para guardar e investir em projetos pessoais, sem correr o risco de ser roubado, barrado e/ou sugado pela taxação progressiva e pelo intervencionismo. Com um estado mínimo, preocupado com a segurança e a liberdade desse sistema, os gastos que iriam para o Estado são poupados gerando mais poder aquisitivo ao trabalhador.

A história nos mostra que onde houve acúmulo de capital através da liberdade econômica e governantes mais preocupados com a proteção do país e a liberdade do sistema interno de economia de mercado, o desenvolvimento emergiu e os destinados status sociais foram quebrados. Homens pobres tornaram-se  grandes donos de fábricas e marcas.

É preciso aprender com Mises que a liberdade, em todos os sentidos, é essencial para que tenhamos a possibilidade de mudança social, principalmente no que se refere a transformação econômica. Se queremos que os pobres venham a melhorar de vida é preciso incentivar a liberdade econômica, a inciativa privada e um Estado mínimo.

“Eu já tinha feito doutorado em economia, achava que sabia de tudo, mas percebi que eu ainda não sabia de nada” – Paulo Guedes, Ministro da Fazenda de Bolsonaro, falando sobre a sua reação depois de ler a obra Human Action (Ação Humana), do economista Ludwig Von Mises.

 

Por: Fernando Razente

Sobre Fernando Razente

Atuante com comunicação e mídia, desempenhou-se na área administrativa do Jornal Noroeste e cursa História. É colunista, escritor de artigos de opinião e matérias jornalísticas.


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