quarta-feira , 17 julho 2019
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Benedito Palhares, o zelador do Lagoão vítima da criminalidade ambiental



Apesar de cuidar com amor e dedicação do adorado parque “Lagoão” de Mandaguaçu, Benedito não esperava que alguns visitantes não tivessem com o ambiente a mesma estima

Fernando Razente
contato@mandaguacu.com.br

O Parque Lagoa Dourada, mais conhecido como “Lagoão” é considerado o melhor lugar para se caminhar em Mandaguaçu (PR). Começar ou terminar o dia exercitando-se no belo local é o que muitos procuram nos seus momentos de lazer.

Muitas vezes, aqueles que frequentam o local, mal sabem que o responsável por abrir e fechar as portas do parque, hoje não pode usufruir da deleitável caminhada. Este é Benedito Palhares, morador de Mandaguaçu há doze anos. Benedito trabalha como zelador do Lagoão, é remunerado pelo órgão público e mora em uma residência fixada nas dependências do parque com suas duas filhas, uma delas mãe de uma pequena menina.

Apesar de cuidar com amor do adorado parque de Mandaguaçu, Benedito não esperava que alguns visitantes não tivessem com o ambiente a mesma estima. Foi há cerca de cinco anos atrás, através da irresponsabilidade de visitantes baderneiros, que Benedito perdeu a capacidade de andar. Em entrevista para a equipe do Portal de Mandaguaçu, Benedito nos contou que frequentadores – após uma noitada na quadra de bocha (ao lado do Lagoão) – lançaram dentro do parque garrafas de vidro de bebidas
alcóolicas.

Pela manhã, Benedito caminhava, realizando a ronda e abertura do parque, quando sentiu um dos cacos de vidro da garrafa entrar em seu pé, perfurando profundamente sua pele. Imediatamente, Benedito foi levado ao posto médico mais próximo, mas por ser portador de diabetes (e não saber possuir antes do acidente, conforme nos confessou) e passar por um atendimento médico que não observou esse fator, gerou uma grande inflamação em sua perna direita.

Três dias depois de sua ronda matutina, seu pé, tornozelo e tíbia direita necrosaram, e a única alternativa para salvar a sua vida era a amputação, colocando-o numa cadeira de rodas. Benedito, com um olhar de lamento, disse que hoje quase não sai de casa, exceto para trabalhar abrindo e fechando os portões do famoso parque e quando suas filhas conseguem levá-lo ao centro da cidade.

Por conta da diabetes, o incansável zelador do parque toma insulina todos os dias e sofre com a pressão alta. Suas filhas o auxiliam em sua casa com as dificuldades de locomoção e outras. Apesar de todos obstáculos que enfrenta, Benedito nos expôs que essa situação o levou a pensar diferente de como pensava, além de fazê-lo valorizar mais, não só a capacidade de andar, mas de poder estar vivo também.

Lamentavelmente, Benedito Palhares foi vítima das atitudes irresponsáveis e criminosas de alguns moradores. Segundo o Artigo 54 da Lei nº 9.605 de 12 de Fevereiro de 1998, é passível de reclusão de um a cinco anos além de multa, o “causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora.”

Apesar da abjeta violação da lei que resultou no dano à saúde de Benedito, ele mesmo nos diz que isso não o fez desistir de valorizar a vida, de acordar pela manhã todos os dias e “passear” pelo Lagoão abrindo as portas para quem deseja desfrutar de uma caminhada. Hoje, ironicamente, as tranquilas Caminhadas no Lagoão são possibilitadas por um cadeirante. Encerramos a entrevista perguntando qual seria o maior sonho dele atualmente. Benedito nos respondeu sem hesitar: “Uma cadeira elétrica!”.

Sobre Fernando Razente

Atuante com comunicação e mídia, desempenhou-se na área administrativa do Jornal Noroeste e cursa História. É colunista, escritor de artigos de opinião e matérias jornalísticas. Atualmente é editor chefe do Portal Mandaguaçu.


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